Isaquias quer dedicar ouro a técnico espanhol morto em 2018: "Levamos o nome de Jesus"

Baiano avança nas eliminatórias da canoagem de velocidade C1 1000 com o melhor tempo e disputa semifinal e provável final nas Olimpíadas de Tóquio na noite desta sexta-feira

Isaquias Queiroz classificação C1 1000m — Foto: Adam Pretty/Getty Images

 

O baiano Isaquias Queiroz tem três missões na manhã deste sábado (noite de sexta no Brasil), penúltimo de competições nas Olimpíadas de Tóquio. Na primeira, a partir de 9h44 (21h44 de Brasília), ele disputa as semifinais do C1 1000m no Canal Sea Forest, palco das provas de canoagem velocidade na capital japonesa.

Se avançar, e tudo indica que ele irá, parte rumo à sua segunda missão: brigar pela medalha de ouro olímpica que lhe falta (tem duas pratas e um bronze da Rio 2016) às 11h53 (23h53 de Brasília).

A terceira, e mais especial de todas, é dedicar a medalha à memória do treinador espanhol Jesus Morlán, que morreu em 2018 depois de uma batalha de dois anos com um câncer no cérebro. Isaquias leva o nome do ex-técnico em seus pensamentos, suas entrevistas e em seus objetivos.

- Jesus foi um cara que mudou a a trajetória da canoagem do Brasil. Um cara que merece todo elogio por todas as conquistas que teve e pelo que estava fazendo mesmo com o tratamento do câncer. Para mim, é uma honra poder remar aqui e tentar mostrar para o Brasil que o trabalho dele segue, que podemos mostrar à família dele que levamos o nome do Jesus mesmo ele não estando mais fisicamente aqui. Meu objetivo agora é ganhar essa medalha de ouro para dedicar a ele - disse.

 

Jesus Morlán entre Erlon de Souza e Isaquias com as medalhas na Rio 2016 — Foto: Gabriel Fricke

 

Isaquias e Jesus começaram a trabalhar juntos em 2013, em São Paulo. Não era uma relação amorosa. O espanhol era exigente ao máximo, um lapidador de campeões olímpicos, e não queria macular sua carreira. Por isso, cobrava tudo e um pouco mais do baiano, que sempre considerou o atleta mais esforçado que comandou.

Nos treinos, era comum trocarem xingamentos, sempre remendados com papos carinhosos na beira da Lagoa Santa onde treinavam nos arredores de Belo Horizonte. Tal pai, tal filho, chegavam ao limite e depois se reconciliavam com um sorriso.

Juntos, conquistaram três medalhas olímpicas e dez medalhas em Campeonatos Mundiais, numa das parcerias mais vitoriosas do esporte brasileiro em todos os tempos. Depois da morte de Jesus, quem assumiu a orientação de Isaquias e os treinos da seleção foi Lauro de Souza Júnior, o Pinda, que era assistente do espanhol.

A afinação foi imediata e em 2019, já depois da morte do treinador, o canoísta brasileiro subiu duas vezes ao pódio no Campeonato Mundial da Hungria. O atleta vê em Lauro uma extensão de Jesus.

- Nos últimos anos, o Lauro teve que assumir essa responsabilidade de tentar manter o nome dele e o do Jesus. Vou dedicar o resultado ao Lauro também. Eu me sinto na obrigação de chegar aqui e fazer bonito - comentou Isaquias.

 

Autor: Globo Esporte

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