O domínio é azul: Minas se impõe, bate o Praia Clube e é campeão da Superliga após 17 anos

Time de Belo Horizonte sai atrás, mas reage pelas mãos de Natália, ignora pressão rival e conquista seu terceiro título nacional após quase duas décadas de espera

Foto: Gaspar Nobrega

 

Os 17 anos de espera pareceram se espremer em duas horas de jogo. Se quase todo o ginásio do Sabiazinho gritava contra, o Minas soube ignorar qualquer canto rival e se impor. Na noite desta sexta-feira, a equipe de Belo Horizonte controlou o ímpeto do Praia Clube e garantiu seu terceiro título nacional. Com 3 sets a 1, parciais 17/25, 25/23, 25/14 e 28/26, coroou uma temporada quase perfeita e retomou o domínio da Superliga Feminina após quase duas décadas de ansiedade.

A vitória dá ao Minas seu terceiro título nacional. Antes, o time da capital mineira havia vencido nas temporadas de 1992/1993, quando a competição ainda se chamava Liga Nacional, e de 2001/2002. Campeão na temporada passada, o Praia, por outro lado, amarga seu segundo vice – também caiu na decisão em 2015/2016, para o Rio de Janeiro.

O título coroa uma temporada praticamente perfeita do Minas. Com um investimento alto, montou um time que ganhou quase tudo que disputou: vice do Mundial e campeão da Copa Brasil, do Sul-Americano e, agora, da Superliga.

 

Som e Fúria

 

O barulho, a festa, a pressão. O clima do Sabiázinho abriu caminho para que o Praia Clube tomasse o controle logo de cara. Michelle, que havia saído zerada no primeiro jogo, marcou os dois primeiros pontos, e o time de Uberlândia abriu 5 a 1 com tranquilidade. Lavarini, então, seguiu a cartilha e parou o jogo. Tentou, na marra, acalmar o ímpeto rival. Aos poucos, o Minas cresceu. Equilibrou as ações e diminuiu a diferença para apenas dois pontos (14/12). Foi a vez, então, de Paulo Coco parar a partida.

Funcionou. O Praia voltou a controlar a reação do Minas e disparou. No bloqueio de Rosamaria sobre Gabi, a vantagem subiu novamente para cinco pontos: 20/15. Lavarini parou o jogo mais uma vez em uma última cartada no set. Mas não teve jeito. Dono da partida até ali, o time da casa fechou a parcial em mais um ataque de Michelle: 25/17.

Rosamaria, do Praia do Clube, bate no peito e comemora ponto contra o Minas na final da Superliga — Foto: Gaspar Nóbrega

 

A Força Azul e Branca

 

Na volta à quadra, o Minas quis alterar os passos do set anterior. Largou na frente e parecia mais atento e certeiro. As jogadas que ainda não haviam funcionado, como a china de Macris e Carol Gattaz, enfim apareceram. Do outro lado, o Praia já não tinha a mesma facilidade. Um saque na rede de Fawcett, um ataque sem marcação de Natália, e o Minas abriu 5/3. Pelas mãos de Bruna Honório, a vantagem do time da capital aumentou para 9/6.

Só que o Praia reagiu. E pode colocar na conta de Michelle. Com dois aces seguidos, a ponteira empatou o jogo em 9/9 e obrigou Lavarini a parar a partida. Na sequência, o time da casa passou à frente com um bloqueio de Rosamaria. O Praia até abriu alguma diferença, mas o Minas não se assustou. Com Gabi, fez 19/18 e voltou à frente. O Praia, na marra, tentou se manter firme, mas caiu na pancada de Natália: 25/23.

 

Natália festeja ponto contra o Minas — Foto: Orlando Bento/MTC

 

Virada com Sobras

 

Um ataque de Gabi abriu a contagem no terceiro set. Era, mais uma vez, um jogo equilibrado. O Praia parecia sentir a falta do poder ofensivo de Fernanda Garay, mas, na marra, se mantinha firme. Do outro lado, o Minas carregava a tranquilidade de ter a vantagem em mãos. Em seu melhor momento no jogo, abriu 9/6 com uma pancada de Natália. Paulo Coco, então, pediu tempo. Também tentou mexer ao mandar Ananda para quadra. Não deu certo.

Em uma pancada de Malu, o Minas disparou e abriu 12/6. Paulo Coco parou mais uma vez. Mandou à quadra, na sequência, Paula Borgo e Ellen, nos lugares de Fawcett e Michelle. Algo, porém, havia desandado do lado do time da casa. Àquela altura, o Minas atropelava. Abriu 18/9 e viu a torcida rival diminuir o tom. O Praia já não conseguia mais se encontrar. Em uma pancada de Malu, fechou a conta e ficou mais perto do título: 25/14.

 

Explosão Azul e Branca

 

O Praia quis reagir. Afinal, era a única chance de se manter vivo na decisão. Começou bem e, na marra, abriu 7/4 de vantagem. Do outro lado, Natália desequilibrava. Nem mesmo quando Carol Gattaz caiu em quadra com cãibras, o Minas se abateu. Logo, voltou a deixar tudo igual no placar. A reação das visitantes intimidou o time da casa. Logo, o placar já marcava 18 a 12. Ainda assim, o Praia lutou. Na marra, chegou ao empate com um ataque de Fabiana pelo meio. A virada veio com um ace de Carol. O ginásio voltou a explodir. Só que o Minas não quis mais esperar. No bloqueio de Carol Gattaz, o Minas retomou o topo do vôlei nacional: 28/26.

 

Os Times

 

Minas: Macris, Bruna Honório, Carol Gattaz, Mara, Gabi e Natália. Líbero: Léia.

Praia Clube: Carli Lloyd, Fawcett, Fabiana, Carol, Rosamaria e Michelle. Líbero: Suelen.

 

Autor: GloboEsporte

 

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