Uso do canabidiol cresce no esporte brasileiro e médico explica sobre os benefícios
O uso do medicamento auxilia no controle da dor, sono e desempenho, mas especialista alerta para riscos de doping sem acompanhamento especializado
Crédito: Unplash
Por: Bruno Bozza
O uso do canabidiol (CBD) no esporte brasileiro está em fase de expansão e consolidação, impulsionado por estudos clínicos de recuperação física e pela desmistificação da substância como ferramenta terapêutica. Estima-se que mais de 807 mil atletas no país — entre profissionais, amadores e praticantes ocasionais — sejam potenciais usuários de produtos à base de cannabis, com um mercado que pode movimentar cerca de R$ 901 milhões por ano.
No esporte de alto rendimento, especialmente no futebol, o interesse tem crescido de forma consistente. Dados da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) indicam que cerca de 33% dos jogadores sofrem lesões durante competições, o que amplia a busca por alternativas eficazes no controle da dor e na recuperação muscular. Iniciativas pioneiras, como a adoção do CBD em protocolos terapêuticos por clubes brasileiros, já apontam redução no tempo de afastamento e melhora na recuperação.

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Do ponto de vista clínico, o médico Dr. Adam de Lima Alborta explica que o canabidiol tem sido observado como uma ferramenta promissora em três frentes principais: controle da dor, melhora da qualidade do sono e recuperação pós-esforço. Estudos recentes indicam boa tolerabilidade e sinais positivos na redução de dor e incapacidade funcional após lesões musculares induzidas por exercício, embora especialistas reforcem a necessidade de pesquisas mais amplas.
“O CBD não deve ser visto como substituto universal dos tratamentos tradicionais, mas como uma alternativa complementar muito interessante”, explica o médico Dr. Adam Alborta. “Anti-inflamatórios e analgésicos têm papel importante, mas o uso recorrente pode trazer riscos. O canabidiol pode ajudar a modular inflamação, melhorar o sono e reduzir a hiperexcitação do sistema nervoso sem causar intoxicação ou prejuízo cognitivo, favorecendo um ambiente biológico de recuperação”, avalia.
Segundo o especialista, o uso de canabinoides no esporte segue uma lógica já conhecida na evolução da performance atlética. “Atletas sempre buscaram otimizar desempenho no limite. Foi assim que surgiram suplementos, proteínas e estratégias nutricionais. Tudo entrou de forma gradual, baseado em resultado. Os canabinoides seguem essa mesma lógica, mas com outro papel. Vejo como uma ferramenta voltada ao pós-esforço, ajustando a recuperação do atleta, seja na dor, no sono ou no equilíbrio do sistema nervoso”, complementa.
Ele ressalta, no entanto, que o crescimento do uso depende diretamente da forma como é conduzido. “A tendência é de crescimento natural, acompanhando os resultados clínicos, como aconteceu com outros recursos no esporte. Mas isso só se sustenta se sair da propaganda e entrar na medicina. Prescrição individualizada, produto rastreável, dose correta, acompanhamento clínico e responsabilidade antidoping. Sem isso, pode acabar entrando em uma zona cinzenta, onde o uso deixa de ser terapêutico e passa a ser questionado, não pela substância em si, mas pela forma como é utilizado”.
A regulamentação também exige atenção. O canabidiol isolado é permitido pela Agência Mundial Antidoping (WADA) e pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), mas outros canabinoides, como o THC, seguem proibidos em competição. Isso cria um cenário de risco para atletas que utilizam produtos sem controle rigoroso de qualidade. “O ponto principal é: CBD é permitido, mas o THC continua sendo risco. Muitos produtos podem conter traços não declarados, o que pode levar a um resultado positivo em testes antidoping. Por isso, a prescrição deve ser feita por um profissional com expertise”, alerta Alborta.
Além dos aspectos físicos, o impacto na saúde mental também ganha relevância. “No atleta, saúde mental não é detalhe, é parte do desempenho. Sono ruim, ansiedade e hiperalerta aumentam a dor percebida, prejudicam a tomada de decisão e elevam o risco de lesão”, afirma o médico. Estudos indicam que muitos atletas buscam o CBD justamente para melhorar o sono, reduzir a ansiedade e acelerar a recuperação, fatores diretamente ligados à performance esportiva.

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Com a regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), por meio das RDCs 327/2019 e 335/2020, o uso do canabidiol passou a ser permitido no Brasil sob prescrição médica, consolidando o caminho para sua integração responsável no esporte. Ainda assim, especialistas reforçam que o avanço do CBD depende menos da popularização e mais da sua consolidação como prática médica segura, baseada em evidência e acompanhamento profissional.

Adriano Sann - Crédito: Unplash
Para mais informações sobre o trabalho do Dr. Adam de Lima Alborta, acesse o perfil oficial no Instagram (@cbdsaudeonline) ou o site: www.dradamalborta.com.br.









































