Vasco vive crise, chega a 300 minutos sem marcar e começa a fazer contas contra o rebaixamento
Cruz-Maltino atravessa sequência sem gols, ocupa a zona de rebaixamento e terá pela frente o líder Palmeiras; instabilidade no comando técnico também marca a temporada de 2026
Da Redação
O momento do Vasco da Gama acende o sinal de alerta em São Januário. Em uma temporada marcada por mudanças no comando técnico, dificuldades ofensivas e resultados abaixo das expectativas, o Cruz-Maltino chegou a 300 minutos sem marcar gols e entra na reta decisiva do Campeonato Brasileiro pressionado pela luta contra o rebaixamento.
A derrota por 3 a 0 para o Santos, em São Januário, pela 23ª rodada, aumentou ainda mais a preocupação. O resultado manteve o Vasco com 22 pontos e colocou a equipe na 19ª colocação após a rodada, enquanto o Santos chegou aos 25 pontos e deixou o Z-4.
Além da posição na tabela, o desempenho ofensivo virou um dos principais problemas para o técnico Pedro Emanuel. O Vasco não marcou nas últimas três partidas e terá de encontrar soluções rapidamente para evitar que a situação se torne ainda mais complicada.
300 minutos sem balançar as redes
A última vez que o Vasco marcou foi na vitória por 3 a 1 sobre o Fluminense, pelo jogo de volta das oitavas de final da Copa do Brasil. David fez o último gol cruz-maltino naquela partida.
Desde então, o ataque passou em branco diante de Bahia, Olimpia e Santos, fazendo o período sem balançar as redes chegar aos 300 minutos.
Contra o Olimpia, pela Copa Sul-Americana, o Vasco teve volume ofensivo e pressionou durante boa parte do confronto em São Januário, mas não conseguiu superar a defesa paraguaia e ficou no 0 a 0.
A dificuldade voltou a aparecer diante do Santos. Mesmo jogando em casa e necessitando da vitória em um confronto direto na parte de baixo da tabela, o Cruz-Maltino perdeu por 3 a 0 e deixou São Januário sob forte pressão.
A falta de eficiência no último terço do campo se tornou, portanto, um dos grandes desafios de Pedro Emanuel. Mais do que criar oportunidades, o Vasco precisa voltar a transformá-las em gols em um momento no qual cada ponto pode ser determinante para a permanência na Série A.
Instabilidade também passa pelo banco de reservas
A temporada vascaína também é marcada pela constante troca no comando da equipe. Fernando Diniz iniciou 2026 como treinador, mas deixou o clube em fevereiro após uma sequência de resultados insatisfatórios.
Bruno Lazaroni, integrante da comissão permanente, assumiu interinamente até a chegada de Renato Gaúcho, contratado em março para sua terceira passagem pelo clube.
Renato permaneceu pouco mais de três meses no cargo. Foram 107 dias até sua saída em junho, ampliando o histórico recente de mudanças de treinadores durante a gestão do presidente Pedrinho.
Após novo período de transição, o português Pedro Emanuel assumiu a missão de conduzir o Vasco na sequência da temporada. O treinador aparece atualmente como comandante da equipe principal no quadro oficial da comissão técnica do clube.
As mudanças ajudam a dimensionar a dificuldade encontrada pelo Vasco para estabelecer continuidade de trabalho em 2026. Diferentes ideias de jogo, comissões técnicas e métodos passaram pelo elenco ao longo da temporada, enquanto a equipe tenta encontrar estabilidade justamente na fase mais importante do Campeonato Brasileiro.
Hora de fazer contas
Com 23 rodadas disputadas e 15 partidas restantes, o Vasco entra definitivamente na fase da calculadora.
São 45 pontos ainda em disputa até o encerramento do Campeonato Brasileiro. Destes, o Cruz-Maltino poderá disputar 21 pontos como mandante, correspondentes aos sete jogos que ainda fará em casa.
Mesmo que conquistasse sete vitórias nesses compromissos, o Vasco somaria mais 21 pontos aos atuais 22 e chegaria a 43 pontos. Ou seja: ainda ficaria abaixo dos tradicionais 45 pontos, número utilizado historicamente como referência — e não como garantia matemática — para a permanência na Série A.
Para alcançar essa marca, considerando esse cenário perfeito dentro de casa, o Vasco ainda precisaria buscar pelo menos dois pontos como visitante.
A conta deixa clara a dimensão do desafio. O clube não depende apenas de uma recuperação em São Januário. Também terá de pontuar fora de casa e, principalmente, interromper rapidamente a sequência negativa.
Próximo desafio será contra o líder
E a primeira oportunidade fora de casa está longe de ser simples.
Pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro, o Vasco enfrenta o Palmeiras no próximo domingo (23), às 16h, no Nubank Parque, em São Paulo. A partida coloca frente a frente equipes pressionadas por objetivos completamente diferentes na competição. A realização do confronto no domingo, pela 24ª rodada, é confirmada pelo próprio Palmeiras.
O Palmeiras chegou ao fim da 23ª rodada na liderança, com 48 pontos, mas viu o Flamengo reduzir a distância para apenas três pontos após a derrota palmeirense para o Fluminense e a goleada rubro-negra sobre o Mirassol.
Do outro lado, o Vasco chega pressionado pela zona de rebaixamento, pelo jejum de gols e pela necessidade urgente de reação.
Para o Cruz-Maltino, portanto, o confronto vale muito mais do que três pontos. Pontuar diante do líder, fora de casa, pode representar o início de uma recuperação em uma competição na qual a margem para erros está cada vez menor.
Fot reprodução | Divulgação
Pressão aumenta na reta decisiva
A matemática ainda permite reação, mas o cenário exige mudança imediata de desempenho.
Com 22 pontos, 300 minutos sem marcar e apenas 15 rodadas pela frente, o Vasco precisa transformar volume ofensivo em gols e gols em vitórias. A sequência sem vencer e a derrota em confronto direto para o Santos aumentaram a pressão sobre elenco, comissão técnica e diretoria.
Pedro Emanuel agora tem o desafio de recuperar a confiança de uma equipe que, além de melhorar defensivamente, precisa reencontrar o caminho das redes.
O Campeonato Brasileiro entra em sua fase decisiva, e a situação do Vasco já não permite esperar muito mais.
A calculadora entrou em campo. Agora, para escapar do rebaixamento, o Cruz-Maltino precisa fazer os números aparecerem também na tabela.































































