5 mitos sobre o golfe que não fazem sentido

De custos e exigências físicas à iniciação, esporte ainda enfrenta estereótipos para ampliar o acesso e formar novos talentos

Créditos: CBGolfe

Por: Philipe Alves

Associado a clubes exclusivos, equipamentos caros e a um público restrito, o golfe ainda é cercado por percepções que podem afastar novos praticantes. Parte dessa imagem está ligada à história da modalidade, mas não representa todas as possibilidades de acesso e desenvolvimento existentes hoje no Brasil. Projetos sociais, programas de formação e diferentes caminhos de iniciação mostram que o esporte pode alcançar públicos diversos, além de contribuir para o desenvolvimento físico, técnico e pessoal de seus praticantes.

A Confederação Brasileira de Golfe (CBGolfe) atua nesse processo por meio de iniciativas de formação e inclusão, que aproximam crianças e adolescentes da modalidade e criam oportunidades para o desenvolvimento de novos atletas. Conheça cinco mitos sobre o golfe e o que a realidade do esporte mostra sobre cada um deles.

  1. Golfe é um esporte só para ricos

O custo pode representar uma barreira de entrada, especialmente quando envolve mensalidades de clubes, equipamentos e acesso a campos. No entanto, a prática não se limita a quem pode arcar com toda essa estrutura. Projetos sociais e programas de formação oferecem alternativas para o primeiro contato com a modalidade.

Um exemplo é o Programa Formação de Talento e Cidadania, desenvolvido pela CBGolfe em parceria com o The R&A. A iniciativa mantém polos de desenvolvimento em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Rio Grande do Sul, com treinamento esportivo, acompanhamento técnico e oportunidades de participação em competições.

Em Japeri, na Baixada Fluminense, um projeto social já beneficiou mais de 700 jovens ao longo de sua história. Além das aulas de golfe, os participantes têm acesso a reforço escolar, acompanhamento psicológico e assistência social. A iniciativa demonstra como o esporte pode chegar a jovens que, em muitos casos, não teriam contato com a modalidade por meio dos canais tradicionais.

  1. Golfe é um esporte parado, que exige pouco esforço físico

A ausência de corridas contínuas ou de disputas de contato pode transmitir uma impressão equivocada sobre as exigências físicas do golfe. A modalidade envolve coordenação motora, equilíbrio, mobilidade, força e controle dos movimentos. Quando o percurso é realizado a pé, a partida também exige resistência física, já que o jogador percorre o campo enquanto executa as tacadas.

O esforço varia conforme o percurso, a duração da partida e as características de cada praticante. A concentração e a estratégia são componentes importantes do jogo, e fazem parte de uma atividade que também exige preparo físico e aperfeiçoamento técnico.

  1. É preciso começar a jogar desde criança

Começar cedo pode favorecer quem pretende seguir uma trajetória no alto rendimento, mas não é uma exigência para aprender a jogar golfe. Adultos também podem iniciar a prática e evoluir de acordo com seus objetivos, seja para competir, praticar atividade física ou aproveitar o esporte como lazer.

Na formação de atletas, o acesso a treinamento e competições pode transformar a iniciação em uma oportunidade de desenvolvimento esportivo. Em 2026, a CBGolfe lançou a Seleção Brasileira dos Projetos Sociais, iniciativa voltada à identificação de jovens com potencial competitivo e ao suporte para participação em torneios nacionais.

Entre os exemplos estão Victor Machado, da Escola de Golfe de Japeri, e Matheus Frezza, do Projeto Corujinha, de Louveira, no interior de São Paulo. Ambos tiveram o primeiro contato com a modalidade por meio de projetos sociais e ganharam destaque em seletivas nacionais promovidas pela Confederação. As trajetórias mostram como oportunidades de iniciação podem abrir caminhos para o esporte competitivo.

  1. Golfe é difícil demais para quem nunca praticou

Como em qualquer modalidade que exige técnica, aprender golfe envolve prática e orientação. Isso, porém, não significa que o iniciante precise dominar os movimentos antes de começar. Fundamentos como empunhadura, postura e execução das tacadas podem ser desenvolvidos gradualmente, respeitando o ritmo de aprendizagem de cada pessoa.

Programas de iniciação esportiva cumprem um papel importante nesse processo ao oferecer treinamento orientado e oportunidades de evolução. O desafio inicial não é acertar todas as tacadas, mas aprender os fundamentos e adquirir familiaridade com o jogo. Com acompanhamento adequado, a complexidade técnica deixa de ser um impedimento para o primeiro contato com o esporte.

  1. Golfe é um esporte individual, sem espaço para convivência

Embora o golfe seja uma modalidade de competição individual, poucos esportes proporcionam tanto tempo de convivência entre seus praticantes. Uma partida dura, em média, quatro horas, período em que os jogadores compartilham desafios, conversas, experiências e emoções. É um ambiente que favorece conexões genuínas, amizades profundas e relacionamentos que muitas vezes ultrapassam os limites do campo.

Essa é uma das características mais marcantes do lifestyle do golfe. A modalidade reúne pessoas de diferentes gerações e profissões, criando oportunidades de integração, networking e troca de experiências em um ambiente pautado pelo respeito, ética e cordialidade.

E a convivência não termina no último buraco. A tradicional confraternização no chamado “buraco 19”, expressão usada para o encontro entre os jogadores após a partida, é parte da cultura do golfe. É nesse momento que histórias são compartilhadas, amizades se fortalecem e vínculos construídos ao longo do jogo se transformam em relações duradouras.

Ampliar o acesso é parte do desenvolvimento do golfe

Desconstruir estereótipos é um passo para aproximar novos públicos da modalidade, mas a transformação depende de oportunidades concretas de iniciação, formação e participação esportiva. Ao apoiar projetos sociais e criar caminhos para que jovens talentos avancem ao alto rendimento, a CBGolfe busca contribuir para uma modalidade mais acessível e ampliar sua presença no país.

“Quando investimos em projetos de base, não estamos apenas formando atletas. Estamos oferecendo oportunidades, criando referências positivas e mostrando para essas crianças que elas podem sonhar mais alto. O golfe tem o poder de transformar trajetórias e muitos dos talentos que representarão o Brasil no futuro podem estar começando hoje em um desses projetos”, afirma Felipe Almeida, vice-presidente da Confederação Brasileira de Golfe.

 

Sobre a CBGolfe
A Confederação Brasileira de Golfe é a entidade responsável pela organização, regulamentação e desenvolvimento do golfe no Brasil. Filiada ao Comitê Olímpico do Brasil (COB) e às principais entidades internacionais da modalidade, a CBGolfe atua na promoção do esporte em diferentes frentes, do alto rendimento à formação de novos atletas, além de fomentar iniciativas de inclusão, capacitação e crescimento sustentável da modalidade no país. A entidade organiza competições nacionais, rankings oficiais e programas de desenvolvimento técnico, com foco especial no fortalecimento do golfe infantojunvenil, feminino e profissional. 

 

* Com informações NR7 Full Cycle Agency

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